| 1 x de R$85,99 sem juros | Total R$85,99 |
| 2 x de R$50,15 | Total R$100,31 | |
| 3 x de R$33,61 | Total R$100,83 | |
| 4 x de R$25,55 | Total R$102,22 | |
| 5 x de R$20,60 | Total R$103,02 | |
| 6 x de R$17,24 | Total R$103,48 | |
| 7 x de R$14,84 | Total R$103,92 | |
| 8 x de R$13,03 | Total R$104,24 | |
| 9 x de R$11,61 | Total R$104,56 | |
| 10 x de R$10,51 | Total R$105,11 | |
| 11 x de R$9,60 | Total R$105,67 | |
| 12 x de R$8,84 | Total R$106,15 |
Em um reino onde a corrupção se instalou em cada ofício, tribunal e repartição, um padre jesuíta de língua afiada decidiu pôr tudo no papel ― e entregou o manuscrito ao próprio rei. Escrito em tom satírico, o texto constrói uma falsa “arte” do roubo para denunciar vícios sociais, corrupção política, abusos de poder e hipocrisias morais. Com ironia refinada e linguagem vibrante, o autor descreve as múltiplas formas de furtar ― não com as mãos, mas por meio de cargos, privilégios, negócios e artifícios retóricos. O resultado é um retrato crítico da sociedade portuguesa que, surpreendentemente, ecoa em diferentes épocas. A obra custou ao seu autor o exílio de Lisboa. Atribuída durante séculos ao pregador Padre Antônio Vieira, a obra é hoje reconhecida pela crítica como trabalho do Padre Manuel da Costa (1601–1667), jesuíta alentejano cujo perfil intelectual e trajetória biográfica coincidem com precisão notável com o texto. Um documento descoberto no arquivo central da Companhia de Jesus em Roma, datado de cerca de 1660, nomeia-o expressamente como autor. Mais de trezentos anos depois, a sátira permanece atual. Porque a arte de furtar, como Costa bem sabia, nunca saiu de moda.
