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 “Nada no mundo é maior e mais assustador que o amor de uma mãe por um filho.”

Juriti não queria ser mãe. Desde o instante em que soube da gravidez, começou a ser perturbada pela ideia de uma besta alojada no ventre. Sáusa, por outro lado, enxerga na maternidade um caminho para o sagrado.


De Sáusa desaguou Raminho. De Juriti encarnou Evangelino.


Enquanto um sufoca pelo excesso ― de afetos, de cuidados, de presença ―, o outro amarga a falta dentro de si, e goza da liberdade que só a rejeição pode proporcionar. Nesta isolada vila de pescadores, onde as redes podem trazer maldições em meio aos peixes, o anzol lançado por suas mães atravessa as guelras destes rapazes, abrindo neles a ferida da culpa e dos desencontros. A inocência dos dois se afoga em mar aberto e não há acalento ― nem de mãe ou do divino ― capaz de dar jeito. É preciso que um se torne Deus para conceder milagres ao outro.


Em Parir monstros; devorar filhos,
Raul Damasceno volta ao mercado editorial com um texto ainda mais visceral e impactante, mas sem perder o brilhantismo que marcou seu romance de estreia, O rio que me corta por dentro .